“Quando você for mãe você vai entender.”
Sabe, eu nunca dei bola pra essa frase. Me parecia balela ou frase clichè daquelas que explicam o inexplicável ou que te excluem veementemente, por bem ou por mal, de alguns assuntos na vida, dos relacionados à maternidade, no caso.
Mas tenho que dar o braço a torcer. Ela é real. Como todos os outros clichès. E se você não é mãe, me desculpe, mas vai achar que estou exagerando.
Quinta-feira desta semana fui trabalhar e deixei Valentina dormindo, sob os cuidados de minha mãe.
E não me lembro de ter sentido dor parecida em toda a minha vida. Senti outros tipos de dor, obviamente, mas nunca havia sentido isso…um misto de culpa, tristeza, abandono e impotência.
Passei um dia péssimo, não consegui me concentrar, chorei o tempo todo.
Não porque duvidei de que ela estava bem, mas apenas porque havia me separado dela sem a previsão de voltar dali a duas ou três horas.
Iria ficar 8 horas ou mais, longe. E aquilo me destruiu.
Me lembrava a toda hora de seu cheirinho e de suas gracinhas, do modo como sorri para mim assim que acorda e me vê à beira do berço, de seus gritinhos e de como acaricia meu colo enquanto mama…para piorar tudo, meus seios estavam cheios de leite…
Foi simplesmente horrível e me fez pensar num monte de coisas…em como a vida da gente muda e prioridades se invertem.
Anos atrás era inconcebível para mim ficar mais de 15 dias longe do emprego. Não porque sou workaholic ou coisa parecida, mas porque gosto de trabalhar. Porque parte de quem sou está no que faço, no que produzo, no que conquistei ao longo desses 10 anos no mercado de trabalho.
Sou muito agressiva corporativamente falando. Sou competitiva, exigente e perfeccionista. Sou uma chefe terrível e uma funcionária idem…porque tenho problemas com a chefia…rsrsrs
Mas agora, com 32 anos e uma neném de 4 meses, cheirosa, rechonchuda, loirinha, de olhos azuis que ainda depende total e inteiramente de mim, me esperando em casa, todos os desafios e conquistas profissionais que obtive e os que ainda tenho pela frente parecem perder o brilho… desmancham-se no ar.
As horas passadas na redação ou em externas gravando já não me parecem mais tão empolgantes e divertidas quanto observar o desenvolvimento da minha filha e dar a ela todo o suporte emocional e educacional durante esses meses cruciais.
Quem diria, não? Sei que isso pode ser transitório, aliás, tenho certeza disso. Quando ela estiver mais velha e mais independente e principalmente quando desmamar, isso vai passar e eu não vou ver a hora de voltar ao trabalho… Mas por enquanto não é isso o que sinto.
Ela precisa de mim. E eu dela.
Mas querem saber do mais legal? Meu chefe me chamou e me dispensou, disse que me ligaria pra gente “conversar”…
Nem preciso falar que o sorriso me voltou ao rosto na hora, peguei minha bolsa e saí correndo pra casa.
Passei o resto do dia com minha neném. E tudo voltou ao normal.
